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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Álcool X Organismo

Pesquisa feita por alunos do Colégio Azevedo Fernandes

O álcool é absorvido principalmente no intestino delgado, e em menores quantidades no estômago e no cólon. A concentração do álcool que chega ao sangue depende de fatores como: quantidade de álcool consumida em um determinado tempo, massa corporal, e metabolismo de quem bebe, quantidade de comida no estômago.

Quando o álcool já está no sangue, não há comida ou bebida que interfira em seus efeitos. Os efeitos do álcool dependem de fatores como: a quantidade de álcool ingerido em determinado período, uso anterior de álcool e a concentração de álcool no sangue. O uso do álcool causa desde uma sensação de calor até o coma e a morte dependendo da concentração que o álcool atinge no sangue. Os sintomas que se observam são:
- Doses até 99mg/dl: sensação de calor/rubor facial, prejuízo de julgamento, diminuição da inibição, coordenação reduzida e euforia;
- Doses entre 100 e 199mg/dl: aumento do prejuízo do julgamento, humor instável, diminuição da atenção, diminuição dos reflexos e incoordenação motora;
- Doses entre 200 e 299mg/dl: fala arrastada, visão dupla, prejuízo de memória e da capacidade de concentração, diminuição de resposta a estímulos, vômitos;
- Doses entre 300 e 399mg/dl: anestesia, lapsos de memória, sonolência;
- Doses maiores de 400mg/dl: insuficiência respiratória, coma, morte.

Um curto período (8 a 12 horas) após a ingestão de grande quantidade de álcool pode ocorrer a "ressaca", que caracteriza-se por: dor de cabeça, náusea, tremores e vômitos. Isso ocorre tanto devido ao efeito direto do álcool ou outros componentes da bebida. Ou pode ser resultado de uma reação de adaptação do organismo aos efeitos do álcool.

A combinação do álcool com outras drogas (cocaína, tranqüilizantes, barbituratos, antihistamínicos) pode levar ao aumento do efeito, e até mesmo à morte.

O efeitos do uso prolongado do álcool são diversos. Dentre os problemas causados diretamente pelo álcool pode-se destacar doenças do fígado, coração e do sistema digestivo. Secundariamente ao uso crônico abusivo do álcool, observa-se: perda de apetite, deficiências vitamínicas, impotência sexual ou irregularidades do ciclo menstrual.

Intoxicação alcoólica e hipoglicemia:

Como já foi visto antes o álcool etílico, principal componente das bebidas alcoólicas, é metabolizado no fígado por duas reações de oxidação. Em cada reação, elétrons são transferidos ao NAD+, resultando e um aumento maciço na concentração de NADH citosólico. A abundância de NADH favorece a redução de piruvato em lactato e oxalacetato em malato, ambos são intermediários na síntese de glicose pela gliconeogênese. Assim, o aumento no NADH mediado pelo etanol faz com que os intermediários da gliconeogênese sejam desviados para rotas alternativas de reação, resultando em síntese diminuída de glicose.

Isto pode acarretar hipoglicemia , particularmente em indivíduos com depósitos exauridos de glicogênio hepático. A mobilização de glicogênio hepático é a primeira defesa do corpo contra a hipoglicemia, assim, os indivíduos em jejum ou desnutridas apresentam depósitos de glicogênio exauridos, e devem basear-se na gliconeogênese para manter sua glicemia.

A hipoglicemiaprde produzir muitos dos comportamentos associados à intoxicação alcoólica – agitação, julgamento dinimuído e agressividade. Assim, o consumo de álcool em indivíduos vulneráveis – aqueles em jejum ou que fizeram exercícios prolongado e extenuante – podem prodizir hipoglicemia, que podem contribuir para os efeitos comportamentais do álcool.

Alcoolismo agudo:

Exerce os seus efeitos principalmente sobre o sistema nervoso central, mas ele pode também rapidamente induzir alterações hepáticas e gástricas que são reversíveis na ausência do consumo continuado de álcool. As alterações gástricas constituem gastrite aguda e ulceração.

No sistema nervoso central, o álcool por si é um agente depressivo que afeta primeiramente as estruturas subcorticais (provavelmente a formação reticular do tronco cerebelar superior) que modulam a atividade cortical cerebral. Em conseqüência, há um estímulo e comportamentos cortical motor e intelectual desordenados.

A níveis sanguíneos progressivamente maiores, os neurônios corticais e, depois, os centros medulares inferiores são deprimidos, incluindo aqueles que regulam a respiração. Pode advir parada respiratória. Efeitos neuronais podem relacionar-se com uma função mitocondrial danificada; alterações estruturais não são em geral evidentes no alcoolismo agudo. Os teores sanguíneos de álcool e o grau de desarranjo da função do SNC em bebedores não habituais estão intimamente realcionados.

Alcoolismo crônico:

É responsável pelas alterações morfológicas em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo, particularmente no fígado e no estômago. Somente as alterações gástricas que surgem imediatamente após a exposição pode ser relacionadas com os efeitos diretos do etanol sobre a vascularização da mucosa. A origem das outras alterações crônicas é menos clara. O acetaldeído, um metabólico oxidativo importante do etanol, é um composto bastante reativo e tem sido proposto como mediador da lesão tissular e orgânica disseminada.

Embora o catabolismo do acetaldeído seja mais rápido do que o do álcool, o consumo crônico de etanol reduz a capacidade oxidativa do fígado, elevando os teores sanguíneos de acetaldeído, os quais são aumentados pelo maior ritmo de metabolismo do etanol no bebedor habitual. O aumento da atividade dos radicais livres em alcoólatras crônicos também tem sido sugerido como um mecanismo de lesão.

Mais recentemente, foi acrescentado o metabolismo não-oxidativo do álcool, com a elaboração do ácido graxo etil éster, bem como mecanismos imunológicos pouco compreendidos iniciados por antígenos dos hepatócitos na lesão aguda.

Seja qual for a base, os alcoólatras crônicos têm sobrevida bastante encurtada, relacionada principalmente com lesão do fígado, estômago, cérebro e coração. O álcool é a causa bastante conhecida de lesão hepática que termina em cirrose, sangramento maciço proveniente de gastrite ou de úlcera gástrica pode ser fatal. Ademais, os alcoólatras crônicos sofrem de várias agressões ao sistema nervoso.

Algumas podem ser nuticionais, como a deficiencia em vitamina B1, comum em alcoólatras crônicos. As principais lesões de origem nutricional são neuropatias periféricas e a síndrome de Wernicke-Korsakoff. Pode surgir a degeneração cerebelar e a neuropatia óptica, possivelmente relacionadas com o álcool e seus produtos, e, incomumente, pode surgir atrofia cerebral.

As conseqüências cardiovasculares também são amplas. Por outro lado, embora ainda sem consenso, quantidades moderadas de álcool podem diminuir a incidência da cardiopatia coronária e aumentar os níveis do colesterol HDL. Entretanto, o alto consumo que leva à lesão hepática resulta em níveis menores da fração HDL das lipoproteínas.

O alcoolismo crônico possui várias conseqüências adicionais, incluindo uma maior tendência para hipertensão, uma maior incidência de pancreatite aguda e crônica, e alterações regressivas dos músculos esqueléticos.

Doença hepática alcoólica (DHA) e Cirrose:

O consumo crônico de álcool resulta com frequência em três formas distintas, embora superpostas , de doenças hepáticas: (1) esteatose hepática, (2) hepatíte alcoólica e (3) cirrose, denominadas coletivamente de doença hepática alcólica. A maioria dos casos o alcoólico que continua bebendo evolui da degeneração gordurasa para ceises de hepatite alcoólicaa e para cirrose alcoólica no transcorrer de 10 a 15 anos.

(1)ESTEATOSE ALCOÓLICA (fígado gorduroso): dentro de poucos dias após a administração de álcool a gordura aparece dentro das células hepáticaas, representa principalmente aumento na síntese de triglicerídios em virtude do maior fornecimento de ácidos graxos ao fígado, menor oxidação dos ácidos graxos, e menor formação e liberação de lipoproteínas.

Ela pode surgir sem evidências clínica ou bioquímica de doença hepática.. Por outro lado, quando o acometido é intenso, pode estar associado com mal-estar, anorexia, náuseas, distenção abdominal, hepatomegalia hipersensível, às vezes icterícia e níveis elevados de aminotransferase.

(2)HEPATITE ALCOÓLICA: caracteriza-se principalmente por necrose aguda daas células hepáticas. Em alguns pacientes, apesar da abstinência , a hepatite perciste e progride para cirrose. Ela representa a perda relativamente brusca de reserva hepática e pode desencadear um quadro de insuficiência hepática ou, às vezes, a síndrome hepatorrenal.

(3)CIRROSE ALCOÓLICA: apesar do álcool ser a causa mais comum de cirrose no mundo ocidental, sendo responsável aí por 60 a 70% de todos os casos, é enegmático que apenas 10 a 15% dos "devotos do alambique" acabam contraindo cirrose. Existe em geral uma relação inversa entre a quantidade de gordura e a quantidade de cicatrização fibrosa.

No início da evolução cirróticaa os septos fibrosos são delicados e estendem-se da veia central para as regiões portais assim como de um espaço-porta para outro. A medida que o processo de cicatrização aumenta com o passar do tempo, a nodularidade torna-se mais proeminente e os nódulos esparsos aumentam em virtude da atividade regenerativa, criando na superfície o denominado aspecto de cravo de ferradura.

A quantidade de gordura é reduzida, o fígado diminui progressivamente de tamanho, tornado-se mais fibrótico, sendo transformado em um padrão macronodular à medida que as ilhotas paraenquimatosas são envoltas por tiras cada vez mais largas de tecido fibroso. Nos casos típicos, após certos sintomas tipo mal-estar, fraqueza, redução ponderal e perda de apetite, o paciente desenvolve icterícia, ascite e edema periférico, com o último sendo devido à deterioração na síntese da albumina.


A menos que o paciente evite o álçool e adote um adieta nutritiva, a evolução habitual durante um período de anos é progressivamente descendente, com a deterioração da função hepática e surgimento de hipertensão porta com suas sequelas como, por exemplo, ascite, varizes gastroesofágicas e hemorróidas.


Problemas clínicos do alcoolismo:

A ingestão contínua do álcool desgasta o organismo ao mesmo tempo em que altera a ente. Surgem, então, sintomas que comprometem a disposição para trabalhar e viver com bem estar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade no trabalho, podendo levar à desagregação familiar e ao desemprego.

Alguns dos problemas mais comuns da doença sâo:

No estômago e intestino
Gases: Sensação de "estufamento", nem sempre valorizada pelo médico. Pode ser causada por gastrite, doenças do fígado, do pâncreas, etc.

Azia: Muito comum em alcoolistas devido a problemas no esôfago.

Náuseas: São matinais e ás vezes estão associadas a tremores. Podem ser consideradas sinal precoce da dependência do álcool.

Dores abdominais: Muito comum nos alcoolistas que têm lesões no pâncreas e no estômago.

Diarréais: Nas intoxicações alcoólicas agudas (porre). Este sintoma é sinal de má absorção dos alimentos e causa desnutrição no indivíduo.

Fígado grande: Lesões no fígado decorrentes do abuso do álcool. Podem causar doenças como hepatite, cirrose, fibrose, etc.

No Sistema Cárdio Vascular :
O uso sistemático do álcool pode ser danoso ao tecido do coração e elevar a pressão sangüínea causando palpitações, falta de ar e dor no tórax.

Glândulas:
As glândulas são muito sensíveis aos efeitos do álcool, causando sensíveis problemas no seu funcionamento.

Impotência e perda da libido. O indivíduo alcoolista pode ter atrofiados testículos, queda de pêlos além de gincomastias(mamas crescidas).

Sangue:
O álcool torna o individuo propício às infecções, alterando o quadro de leucócitos e plaquetas, o que torna freqüente as hemorragias.

A anemia é bastante comum nos alcoolistas que têm alterações na série de glóbulos vermelhos, o que pode ser causado por desnutrição (carência de ácido fólico).

Alcoolismo é doença (OMS):

É o que a medicina afirma, mas a maior dificuldade das pessoas é entender como isso funciona. Alguns acham que é falta de vergonha; outros, que é falta de força de vontade, personalidades desajustadas, problemas sexuais, brigas familiares, etc.; outros, até, que é coisa do "capeta", outros acham que leva algum tempo para desenvolver tal "vício".

A verdade é que algumas pessoas nascem com o organismo predisposto a reagir de determinada maneira quando ingerem o álcool. Aproximadamente dez em cada cem pessoas nascem com essa predisposição, mas só desenvolverão esta doença se entrarem em contato com o álcool.

O alcoolimo não é hereditátio:

Apesar do alcoolismo não ser hereditário existe uma predisposição orgânica para o seu desenvolvimento, sendo, então, o alcoolismo transmissível de pais para os filhos. O desenvolvimento do alcoolismo envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras são geneticamente diferentes, porém, só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



CONSTRUINDO HISTÓRIA
Por Verbena Córdula - Profª de história da 7ª série

A turma da 7ª série do Ensino Fundamental realizou um trabalho com moradores de rua do Centro Histórico de Salvador, local onde está situado o Colégio Estadual Azevedo Fernandes. A idéia partiu após terem estudado acerca das condições de trabalho no Brasil, do período colonial aos dias atuais, o que revelou uma série de mazelas no País, muitas delas resquícios do sistema escravocrata e da continuidade do processo de exclusão social e marginalização de uma parcela considerável da sociedade.


Considerando uma série de mazelas sociais, os estudantes foram solicitados a escolher uma delas, a partir da qual seria realizado um trabalho de pesquisa, que, a princípio, daria origem a um livro. A escolha, unânime, foi que se trabalharia com os moradores de rua. Após isso, montou-se um roteiro com assuntos que seriam trabalhados dentro do grande tema Moradores de rua do Centro Histórico de Salvador, que dariam origem aos capítulos do livro.

Primeiramente, após construção do roteiro, pesquisamos, na Internet, informações que dessem conta da temática. Uma das mais importantes informações que conseguimos foi uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e divulgada em abril deste ano, em Brasília, que revela o perfil dos moradores de rua brasileiros. Os pesquisadores escolheram cidades com mais de 300 mil habitantes e saíram a campo entrevistando moradores de rua com mais de 18 anos de idade. A principal conclusão do estudo é que as pessoas em situação de mendicância são em sua maioria homens alfabetizados e jovens, que abandonaram suas casas por problemas com álcool ou drogas ou por terem perdido o emprego.

As pesquisas com moradores do Centro Histórico de Salvador revelou que, em alguma medida, esta pesquisa realizada pelo governo é verdadeira, uma vez que encontramos morador de rua quase formado em Magistério, que saiu de casa por problemas familiares, outra que também é alfabetizada e que foi expulsa da própria casa, pela filha, revelando que na maioria dos casos,os problemas familiares “jogam” essas pessoas nas ruas.

O grande objetivo da pesquisa foi conscientizar os estudantes dos problemas que afligem a sociedade onde estão inseridos, bem como mostrá-los que, apesar de viverem nas ruas, sob condições precárias e desumanas, essas pessoas merecem ser tratadas com respeito e dignidade. A pesquisa objetivou, ainda, mostrar o quanto o nosso país necessita de políticas públicas que garantam educação, emprego e renda aos cidadãos.

Embora quiséssemos montar um livro, o tempo foi insuficiente par fazê-lo. Aproveitando a presença do programa NTE vai à Escola, resolvemos postar algum material no Blog, e dar continuidade ao trabalho no próximo ano letivo, para que possamos editar o livro.

APESAR DE USAR CRACK
RECONHECE PODER DE DESTRUIÇÃO DA DROGA
Por Ana Paula Santos - Aluna da 7ª série

Roberto Borges tem 41 anos e mora na rua há 25 anos. Ele morava em São Paulo, tomava conta de um sítio, estudou até a 4ª serie do Ensino Fundamental, saiu de da escola com 10 anos. Veio pra Salvador em 83 e desde então mora na rua. Saiu de São Paulo porque tinha problemas com a Justiça.

O paulista diz não se arrepender de ter saído de casa. Tem 5 irmãos e 2 irmãs, não sabe se os pais estão vivos e não tem vontade de reencontrar a família. Usa drogas há 14 anos, faz trabalhos braçais pra ganhar 5,00 (cinco reais), e compra drogas. Ele colocou fogo no próprio corpo por causa das drogas e foi parar no Hospital Geral do Estado( HGE ).

Roberto afirma que a maior dificuldade de morar na rua são as drogas e que é muito difícil de parar. Mas diz também não querer ir para um centro de recuperação, mesmo já tendo visto mais de 30 pessoas morrerem por causa das drogas.

Esse paulista, apesar de usar droga (crack) é consciente de que isso estragou sua vida. Durante a entrevista, perguntamos se ele estava com fome e se gostaria de dinheiro para comprar alguma comida, mas, demonstrando honestidade, disse que havia comido e que se recebesse qualquer quantia iria comprar droga.

EXPULSA DE CASA PELA PRÓPRIA FILHA
Por Paulo Júnior - Aluno da 7ª série

Ela necessita de remédios, mas não tem dinheiro para comprar. Se prostitui para ganhar a vida, mas garante que morou em um belo apartamento no Corredor da Vitória, mas foi colocada para fora de casa, pela própria filha.

Esta mulher de 53 anos se emociona quando fala da sua situação, principalmente da ingratidão da filha, que a expulsou de casa. Mesmo se prostituindo, garante que não dá para ter um abrigo para morar, porque o que ganha é pouco. Para minimizar o sofrimento, conta com a ajuda de um proprietário de farmácia, que lhe doa remédios e com o auxílio de uma entidade que ajuda mulheres desamparadas.

Apesar de todas as dificuldades, conseguiu uma estudante de Direito que a está ajudando a recuperar os seus bens. Mas garante que o que mais lhe faria feliz seria ouvir um “eu te amo” da filha.
APESAR DAS DIFICULDADES, ELE GOSTA DE MORAR NA RUA
Por Alan Duarte - série Aluno da 7ª

Antonio Carlos Oliveira Santos, 29 anos, morava na casa da mãe, no bairro Mirantes de Periperi, e resolveu sair de casa para trabalhar na rua. Há quase um ano na rua, ele diz que não troca a vida que tem por outra, porque já se acostumou. Antonio Carlos vive de pequenos trabalhos na rua, ele dorme em um caixa eletrônico do banco Bradesco, localizado no Comercio.

Este morador de rua, que só estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental, diz ganhar mais do que muitos trabalhadores que têm carteira assinada. Antonio Carlos garante que consegue por mês a quantia de aproximadamente 900 reais, carregando materiais diversos, como cadeiras para trançadeiras, mesas para donos de barracas, etc. Cada viagem custa 3 reais.

Antonio Carlos afirma que as pessoas normalmente o tratam bem e que não costuma se meter em confusões. No entanto, diz que, às vezes, policiais lhe chamam atenção, mas que nunca acontece nada, porque a maioria das pessoas sabe que ele é uma pessoa de boa conduta.
Ele garante que sua vida seria pior em casa do que estando na rua, embora a maioria das pessoas que vivem na rua não pensem como ele.

O “QUASE” PROFESSOR E CANTOR DA NOITE
QUE SONHA EM SE REINTEGRAR À SOCIEDADE
Safira Pereira - Aluna da 7ª série
Sérgio Souza tem 37 anos, estudou em Ribeira do Pombal até o 2º ano de Magistério e tem 12 irmãos - 6 mulheres e 6 homens. Sua família mora em Paripe, aqui em Salvador. O pai tem 79 anos e se chama Osvaldo Borges. Sérgio é cantor, e já trabalhou em muitos bares, mas a bebida o colocou nas ruas. O quase professor saiu de casa por problemas familiares e está na rua há mais de 10 anos.

Ele cantava em bares pra ganhar dinheiro até que começou a beber e com isso começou a chegar atrasado, perdendo as oportunidades que apareciam em sua vida. Antes disso, já viajou pra Belo Horizonte, Goiânia, São Paulo, e trabalhou 8 anos em Canavieiras, na Barraca do Preto Velho, até ser despedido, por causa da bebida alcoólica.

Sérgio tinha envolvimento com uma mulher até vir pras ruas de Salvador, no Pelourinho. Há 10 anos, quando chegou aqui, trabalhou como cantor nos bares e dava pra pagar uma hospedagem. No entanto, mais uma vez a bebida atrapalhou e então teve que morar nas ruas, sobrevivendo da caridade alheia.

Ele diz que morar nas ruas é muito duro, mas que nunca se envolveu com drogas. Já foi ferido, com facadas, mas conseguiu sobreviver. Sérgio conta que, muitas vezes, as pessoas confundem morador de rua com bandido e discriminam, a Polícia os trata mal... O quase professor diz sonhar em se reintegrar à sociedade, mas afirma que a bebida atrapalha muito.